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29.3.15

Sketch #10 - "A ascensão de Jesus"

1. EXT/ DIA – MONTE DAS OLIVEIRAS 

JESUS está rodeado pelos seus 11 apóstolos no Monte das Oliveiras, onde ascenderá aos céus.


JESUS 
Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. Ide e fazei discípulos de todos os povos. A boa notícia deve ser anunciada a todas as nações. 

Os 11 apóstolos olham uma última vez para JESUS, que os abençoa, enquanto começa a levitar, com os braços abertos. 


JESUS 
Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos. 

JESUS vai ascendendo em direcção aos céus. À medida que vai subindo, os seus genitais ficam expostos, através da sua túnica. Os 11 apóstolos fazem um ar surpreso. 


PEDRO 
(indignado) 
Eu disse-lhe para usar boxers! Estava-se mesmo a ver que isto ia acontecer! 

TIAGO 
O Judas escondeu os boxers todos. 

PEDRO 
(irritado) 
Raios! 

JOÃO 
Se calhar, não púnhamos esta parte no livro. 

MATEUS 
É melhor evitar, sim. 


JOÃO 
Lucas, capítulo 24, versículo 50 a 52: “Enquanto os abençoava, apartou-se deles e foi elevado ao céu, com a tomatada de fora..."

PEDRO 
(aos gritos) 
Definitivamente, não vamos pôr essa parte no livro, ok? 

Os outros apóstolos dizem “ok” e vão descendo o Monte das Oliveiras.

24.3.15

Sketch #9 - "A alegria do senhor"

1. INT/DIA. IGREJA 

Numa igreja, aberta ao público, com alguns turistas a tirar fotos ao seu interior, está uma senhora de meia-idade sentada num dos bancos da igreja. É a única pessoa sentada e está a olhar para o alto do altar, mais propriamente, para a imagem de Cristo na cruz. Acaba por fechar os olhos, como se estivesse a iniciar uma oração, com as mãos apoiadas no banco da frente, sempre com a cabeça levantada na direcção do altar. 

Depois de momentos de oração, a sua cara é inundada por uma espécie de ejaculação. 

2. INT/DIA. PARAÍSO - SALA COM FUNDO BRANCO

Jesus Cristo está com a mão debaixo da túnica, a fazer movimentos no seu interior, dando a ideia de estar a masturbar-se. 

JESUS 
(extasiado) 
Jesus! Aaaah…leva com a alegria do senhor! 

Ouve-se alguém a bater à porta. 

DEUS 
Filho, o jantar está na mesa. 

JESUS 
(com ar de preocupação) 
Já vou, pai! Não entres! Já vou! 

Tira a mão debaixo da túnica, arranja o cabelo e sai do enquadramento.

23.3.15

Sketch #8 - "O funeral"

1. EXT/DIA. CEMITÉRIO 

Uma família composta pela mãe, duas filhas e um filho estão no funeral do pai. A mãe está na casa dos 40 e os filhos são todos adolescentes. Além deles, está um padre e um grupo a assistir ao funeral. Com a excepção do padre, estão todos vestidos de preto. A família está destacada do grupo, estando ao lado do caixão, em fila, enquanto que o padre está no púlpito. A mãe e as filhas estão a chorar e o filho está de cabeça para baixo, com lágrimas nos olhos. 


PADRE 
Meus irmãos, estamos aqui reunidos para celebrar a vida de Sérgio Magalhães, que nos deixou cedo de mais. 

A mãe, a chorar, abraça a filha que está ao lado, procurando reconforta-la. 


PADRE 
Sérgio Magalhães era um devoto marido, pai e amigo. A sua bondade não tinha fim. A sua procura pela felicidade, daqueles que o rodeavam, não tinha fim. A sua passagem pela Terra nunca será esquecida. Deus fará com que isso não aconteça. 

2. EXT/DIA. ESTÁDIO DE FUTEBOL 

Um ecrã gigante projecta uma das filhas, a chorar, que está no funeral. Ao se aperceber que está no ecrã gigante, a filha explode de felicidade e começa a sorrir para a câmera e a acenar. Acaba a fazer o gesto do coração com as mãos. 

3. EXT/DIA. CEMITÉRIO 

Os presentes continuam a ouvir o discurso do padre a chorar, como se não tivesse acontecido nada. 


PADRE 
A morte para um cristão não significa a morte. Significa passar-se de uma vida a outra vida. Como Jesus disse em Jo, capítulo 11, versículo 25-26: “Quem acredita em Mim – diz o Senhor-, embora venha a morrer, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, não morrerá jamais”. 

4. EXT/DIA. ESTÁDIO DE FUTEBOL 

O ecrã gigante projecta a mãe e a outra filha, que estavam abraçadas, a chorar. A filha ao se aperceber aponta para o ecrã, com um ar surpreso e vira-se para a mãe a indicar que estavam a aparecer no ecrã gigante. A mãe exalta e começa aos saltos agarrada à filha. 

5. EXT/DIA. CEMITÉRIO 

O discurso do padre continua. 


PADRE 
É altura, meus irmãos, de dar a palavra ao filho, que tem as suas últimas palavras para proferir ao seu pai. 

O filho, visivelmente emocionado e cabisbaixo, dirige-se ao púlpito com um papel na mão. Ao chegar, levanta a cabeça e olha em redor dos presentes, com o padre ao seu lado. 

6. EXT/DIA. ESTÁDIO DE FUTEBOL 

O ecrã gigante projecta o filho. Ao se aperceber começa a tirar o telemóvel do bolso e a ligar a alguém. Depois olha para o lado e puxa o padre para o ecrã. O padre abre a boca de surpresa e começa a bater palmas e acaba a levantar os polegares para a camêra.

Sketch #7 - "Discussão à mesa"

1. INT/DIA. COZINHA 

Um casal, na casa dos 30, está na cozinha. Ela, a SOFIA, está levantada, perto do fogão, a acabar de cozinhar, num wook, massa com frango. Ele, o MIGUEL, já está sentado à espera que a comida seja servida. Estão os dois com um ar pesado. Na mesa, os pratos, os talheres, os guardanapos e os copos, com água, já estão colocados. 


MIGUEL 
(sempre irritado) 
Tens alguma coisa a dizer? 

SOFIA
(sempre irritada) 
Por favor, Miguel. Não comeces! 

MIGUEL 
Não começo? Para ti é sempre fácil. 

SOFIA 
Diz lá. O que é que eu fiz de errado? 

SOFIA acaba de cozinhar e pega no wook para pôr na mesa. A comida está visivelmente quente. SOFIA senta-se à frente do MIGUEL. 


MIGUEL 
É engraçado que tu nunca fazes nada de errado. A culpa é sempre minha. Eu é que invento as coisas.

SOFIA 
(a pegar no prato do MIGUEL para o servir) 
Miguel, cala-te lá um bocado. Fazes sempre o mesmo drama. 

MIGUEL 
Claro, Sofia. Já sei: a culpa é sempre minha. 

SOFIA 
(a pegar no seu prato para se servir) 
É incrível! Estamos sempre a discutir! 

A SOFIA pousa o prato. Os dois pegam nos talheres e começam a comer. 


MIGUEL
(a levar o garfo à boca) 
Sempre a discutir? Tens a certeza? 

MIGUEL dá a primeira garfada e fica atrapalhado, porque a comida está quente. Começa a inspirar e a fazer barulho com a boca para tentar arrefecer. 


MIGUEL 
(atrapalhado, mas continua irritado) 
Tu sabes lá o que é discutir. Tenho amigos que discutem todos os dias. 

SOFIA 
(a levar o garfo à boca) 
E o que é que eu tenho a ver com isso? 

SOFIA dá a primeira garfada e também fica atrapalhada. Tem a mesma reacção que o MIGUEL. 


SOFIA 
(atrapalhada, mas continua irritada) 
Ultimamente só discutimos. Não tenho um dia de descanso. 

MIGUEL 
(a levar o garfo à boca) 
Lá estás tu a fazer-te de vítima. 

MIGUEL dá a segunda garfada e fica, mais uma vez, atrapalhado. Volta a inspirar e a fazer barulho com a boca para tentar arrefecer, mas desta vez, leva o copo de água à boca. 


MIGUEL 
(com o copo na mão) 
Tomara muita gente ter a relação que temos. 

SOFIA 
(a levar o garfo à boca) 
Claro. Uma relação monótona, onde fazemos sempre as mesmas coisas. 

SOFIA dá a segunda garfada e fica atrapalhada. 


SOFIA 
(enquanto vai cuspindo a comida da boca para o prato) 
Já não há novidades nesta relação. 

MIGUEL 
(com um guardanapo na mão a limpar a boca) 
Ainda ontem levei-te a um sítio novo. O que é que queres mais? 

SOFIA, com o garfo perto da boca, vai soprando intensamente para tentar arrefecer a comida, enquanto o MIGUEL fala. 


MIGUEL 
Até parece que fazes muito para ir a sítios novos. Se dependesse de ti estávamos no shopping todos os dias. 

SOFIA 
(a levar o garfo à boca) 
Podemos, por favor, parar de discutir? Pelo menos, vamos comer esta refeição descansados! 

SOFIA dá uma terceira garfada, mas desta vez cospe logo a comida para o prato. 


SOFIA 
(irritada)
Já queimei o céu da boca! 

MIGUEL 
(a levar o garfo à boca e mais calmo) 
Sim, pelo menos, vamos desfrutar da comida em paz e sossego. 

MIGUEL dá a terceira garfada, mas cospe, de imediato, a comida para o prato. 



MIGUEL 
(outra vez irritado) 
Foda-se, esta comida está quente!

27.2.15

Sketch #6 - "O trono"

INT. SALA - PALÁCIO - DIA 

Um rei está sentado no trono. Está sozinho na sala e está com a coroa e o traje apropriado. Tem uma barba comprida e uma imagem que se associa a um rei de tempos antigos. Não esboça qualquer reacção e está a olhar em frente. 

Sem dar a entender, uma grávida surge na sala e pára, a olhar para a frente, perto do rei. É uma grávida na casa dos vinte, trinta anos e está vestida de uma maneira casual. Tem a mão na barriga e está com um ar de desconforto. 

O rei, ao aperceber-se da sua presença, olha para ela por instantes, até voltar à postura inicial. Depois de um momento a mostrar indiferença, o rei levanta-se e cede o lugar à grávida. 

REI 
Força. Faça favor de se sentar. 

GRÁVIDA
Oh...muito obrigado. Que cavalheiro! 
   
REI   
Eu sei. 

O rei permanece de pé ao lado da grávida sentada no trono, e estão os dois a olhar em frente.

26.2.15

Sketch #5 - "O lugar de estacionamento"

INT. PARQUE DE ESTACIONAMENTO DE UM SHOPPING - NOITE 

Miguel está no interior do seu carro, no lugar do condutor, com o vidro aberto a escrever uma mensagem no telemóvel, ainda com o cinto de segurança posto. O carro está estacionado, num típico lugar de shopping, e o parque de estacionamento está cheio. Entretanto, pára um carro à sua frente, com um homem a conduzir e uma mulher ao lado. 


CONDUTOR 
(a abrir o vidro do seu carro.) 
Desculpe...vai sair? 

Miguel olha para o condutor.


MIGUEL
Sim, vou. Estou só a acabar de responder a esta mensagem. Um momento. 


CONDUTOR
Sim, claro. Obrigado. 

Miguel acaba de enviar a mensagem, fecha o vidro, tira o cinto de segurança, abre a porta do carro e sai do interior do veículo. 

MIGUEL
(a olhar para o condutor.) 
Adeus, boa tarde. 

O condutor fica especado a olhar para o Miguel, sem qualquer reacção. O Miguel fecha a porta e tranca o carro, enquanto se dirige para os elevadores do parque de estacionamento.

23.2.15

Sketch #4 - "Um cinto não salva vidas"

INT. URGÊNCIAS DO HOSPITAL - DIA 

Um médico e um enfermeiro, juntamente com a sua equipa, invadem as urgências com um paciente acamado visivelmente debilitado. Tem sangue a escorrer pela cabeça e liberta gritos de sofrimento. A equipa percorre o corredor do hospital, com o paciente, procurando levá-lo para a sala de operações.


MÉDICO
Temos que levá-lo imediatamente para o bloco operatório! 

ENFERMEIRO 
Ele está a perder muito sangue. A sala de operações já está pronta e o novo cirurgião já está no local. 

MÉDICO 
 Óptimo. Não há mesmo tempo a perder. O acidente foi mais grave do que julgava. O prognóstico é muito reservado. 


ENFERMEIRO
(para o paciente) 
Tenha calma. Vai ver que vai correr tudo bem. O cirurgião que o vai operar já salvou muitas vidas. 

Finalmente chegam à sala de operações. A sala está vazia, sem sinal do cirurgião. 


MÉDICO 
Onde é que ele está? 

ENFERMEIRO 
Está aqui sentado na cadeira. 

Na cadeira está pousado um cinto de segurança, com uma placa de identificação a dizer "cirurgião". 


MÉDICO 
(irritado) 
Mas que brincadeira é esta? 

ENFERMEIRO 
É o novo cirurgião. 

O MÉDICO pega no cinto de segurança 


MÉDICO 
Mas isto é um cinto de segurança! 

ENFERMEIRO 
Que, por acaso, salva vidas. Não há melhor cirurgião que este no mercado! Eu acompanhei o seu dossier e cheguei inclusive a ver o seu currículo, onde dizia que salvava vidas. Isso convenceu-me logo. Vá, vamos mas é começar a operação. 

Horas mais tarde, o médico e o enfermeiro estão sentados no chão devastados, quase sem reacção. A sua equipa também está perplexa. O cinto de segurança está pousado na cadeira e o paciente já não dá sinais de vida. 


ENFERMEIRO 
(a olhar para o cinto de segurança) 
Fui completamente enganado.

9.7.14

Sketch #3 - "Bem-vindo a casa"

INT. CASA DE BANHO - NOITE

Uma mulher, na casa dos trinta, de pijama, está no lavatório a lavar os dentes. Está sozinha e, em frente ao lavatório, está um espelho grande. Nunca se consegue ver a cara da mulher, apenas o corpo, de costas, curvado, a efectuar a lavagem. O único som audível é da escova a passar pelos dentes, e é apenas acompanhado por uma música ambiente sinistra que vai aumentando de intensidade, com o passar do tempo.

(Nota: toda esta cena tem que dar a entender que faz parte de um filme de terror.)

Após uns segundos de diferentes planos da mulher, sempre sem revelar o rosto, e com a música a ganhar ainda mais intensidade e suspense, surge uma criatura grotesca de trás da mulher. A mulher, ao estar curvada, a lavar os dentes, assusta-se, mas solta apenas um pequeno grito que sai abafado, por estar com a escova na boca. No entanto, não reage imediatamente e continua curvada para o lavatório. Só depois é que levanta a cabeça e, nesse instante, percebe-se que a mulher também é uma criatura grotesca.


MULHER 
(assustada) 
Ai, que susto, querido! Nem te ouvi chegar a casa.

Eles trocam olhares e esboçam um sorriso.


MULHER 
(já mais calma) 
Pregas-me cada susto. Qualquer dia dá-me uma coisinha má com essas tuas brincadeiras.

7.7.14

Sketch #2 - "Boas notícias no hospital"

INT. HOSPITAL - DIA

Um homem, na casa dos trinta, está na sala de espera muito nervoso. Aparenta estar impaciente, estando constantemente de um lado para o outro, não conseguindo estar sentado mais de 2 segundos. Eventualmente, passa uma enfermeira com um recém-nascido, a chorar, e o homem olha, desesperadamente, e põe a mão na cabeça. Vai perguntando à recepcionista de novidades, sempre com um ar muito nervoso. Finalmente, chega um MÉDICO ao local e chama o seu nome.

(Nota: toda esta cena vai dar a impressão que o homem está à espera de novidades do nascimento do filho.) 

MÉDICO 
Vitor Martins? Creio ter boas notícias para si. Muitos parabéns, vai ser atendido hoje! 

O homem exulta com a notícia e começa a ficar visivelmente emocionado, abraçando o médico. 

VITOR 
Obrigado, Doutor! Muito obrigado, Doutor! 

O homem pega no telemóvel. Neste momento, já está a chorar e liga aos pais a dar a notícia. 

VITOR
 Pai?! Mãe?! Tenho boas notícias. Vou ser atendido hoje! 

Faz uma pausa no discurso. Volta a põr a mão na cabeça, olhando em volta. 

VITOR 
Deve ser dos dias mais felizes da minha vida!

7.11.13

Sketch #1 - "Dia D"

EXT. PRAIA - DIA

Minutos antes do desembarque da Normandia, os capitães, que se encontram nos barcos, procuram dar o último incentivo às tropas antes da batalha.


 CAPITÃO
Hoje é o dia que vai mudar o rumo desta guerra; hoje é o dia que vai ficar marcado para sempre na história da humanidade; Hoje é o dia que seremos lembrados. Lutem pela vossa nação, pela vossa família, por todos nós. Que Deus nos abençoe neste dia. 

Os soldados dão os últimos gritos.


SOLDADO
(a gritar)
 Vamos dar cabo destes cabrões!

O barco pára ainda na água. Os soldados olham uma última vez uns para os outros e começam a correr em direcção à areia. Ainda antes de chegarem à praia, ouve-se um apito. Vem um nadador-salvador a correr em direcção ao mar a apitar. 

 NADADOR-SALVADOR
Mas está tudo louco? Com um mar destes arriscam a ir à água? Mas ninguém viu a bandeira vermelha? 

O nadador-salvador continua a apitar. 

 NADADOR-SALVADOR 
Toda a gente a sair da água - está bandeira vermelha por alguma razão! A corrente está muito forte, vocês têm de seguir as normas ou ainda acabam por se matar.

O nadador-salvador já está ao lado dos soldados a tirá-los do mar, sempre a apitar. 

 NADADOR-SALVADOR 
Vamos lá, tudo a sair daqui!

Um atirador alemão acaba por fuzilar o nadador-salvador com um tiro na cabeça e começa a batalha.


13.3.12

Maus da Fita Métrica #4

Numa empresa chegou aos ouvidos do patrão um suposto assédio sexual pela parte de um funcionário a uma funcionária. Pois bem, esta é a conversa oficial imaginada, por mim, do patrão e dos seus funcionários, de maneira a proporcionar-vos bons momentos de relaxe e de diversão. 

Patrão: Façam favor de entrar. Temos um assunto muito grave para tratar! 
Carlos: Que se passa, chefe?! 
Patrão: Chegou-me, há momentos, aos ouvidos que uma funcionária foi assediada sexualmente em pleno local de trabalho. Calculo que já estejam a perceber qual é o assunto de vos ter chamado. 
Carlos: Desculpe, mas não estou a perceber onde quer chegar. 
Ana Clara: Desenvolva mais, chefe. É que parece que o Carlos ainda não percebeu bem as coisas. 
Patrão: Carlos, a Ana Clara veio falar comigo e contou-me que você teve um comportamento muito duvidoso para com ela. 
Carlos: Desculpem, estão a brincar não estão?! 
Ana Clara: Que descaramento! 
Patrão: Eu só quero que você seja sincero connosco. Assediou, ou não assediou a Ana em pleno local de trabalho?! Sabe que nesta empresa nós gostamos de sinceridade. 

(pausa) 

Carlos: Patrão, mas nós somos uma empresa de filmes pornográficos… 
Patrão: E agora não temos normas éticas, quer ver?! Mas nós somos alguns animais, ou quê?! 
Carlos: Mas eu já fiz várias cenas de anal com a Ana Clara. Até o chefe participou em algumas. Não estou a perceber qual é o problema. 
Ana Clara: Então, isso agora é desculpa?! Pode-se assediar à vontade as colegas de trabalho?! 
Carlos: Mas o que é que eu fiz, assim, de tão grave?! 
Ana Clara: Já nem te lembras?! Estava na secretária, tu chegas ao pé de mim e sussurras-me ao ouvido que estavas desejoso de me ver toda nua! 
Patrão: Que desplante, meu Deus! 
Carlos: A sério, foi só isso? 
Ana Clara: E achas pouco, queres ver? Que nojice! 
Carlos: Ana, eu já ejaculei na tua cara; já te dei chicotadas até ficares a sangrar. Isso não é nada. Mas estás-te a passar?! 
Patrão: Carlos, com muito pena minha, mas está despedido! O teu comportamento é inadequado com os valores desta empresa. Arrume as suas coisas, que ao fim da tarde quero vê-lo fora desta empresa. 
Carlos: Desculpe patrão, mas não está a ser justo comigo. 
Realizador: Corta, corta, corta! Foda-se, Carlos, enganaste-te outra vez nesta última fala! Era para teres dito “o que posso fazer para compensar?!”, e logo de seguida começavam a curtir com a Ana Clara! És uma merda como actor porno! Estás despedido! 

Explicação do texto: Reparam da maneira perspicaz que acabei o texto? Afinal, era uma cena dentro de uma outra cena, causando assim em vós uma sensação de não perceberem nada do que acabei de escrever. Sabem como se chama isto que acabei de vos fazer? Exacto, perda de tempo. Agora vamos lá parar de chamar nomes aqui ao autor, pode ser? É que este imbróglio foi criado com o intuito de vos proporcionar momentos únicos de comédia e de fantasia eróctica, mas julgo que estou completamente pedrado.

7.2.12

Maus da Fita Métrica #3

É no ano de 1940, que um jovem arquitecto recebe uma notícia que há muito esperava. Finalmente, após anos de estudo para concluir o curso, vê-se em mãos com a possibilidade de gerir um novo projecto ambicioso. Faltava-lhe, apenas, uma pequena entrevista com a pessoa encarregue no projecto, de maneira a mostrar o seu plano, para, assim, ter sinal verde para avançar. Até agora, o que sabia, era que se tratava de um complexo, e que seria erguido em Auschwitz. Pois bem, esta é a entrevista exclusiva do arquitecto com o responsável da obra: 

Arquitecto: Nem sabe o quanto esperei por este dia, senhor…Heinrich Himmler! Estou, mesmo, muito ansioso com isto tudo! 
Heinrich Himmler: É esse o espírito, rapaz! Estamos mesmo com vontade de acabar este complexo o mais rápido possível. Sem mais demoras, vamos ao que interessa! Que plano tem para me mostrar? 
Arquitecto: Muito bem! O meu plano passa por construir um complexo que tenha tudo disponível, de maneira a ser tudo mais acessível para os seus moradores. 
Heinrich Himmler: Moradores?! Gostei da ironia. Continue. 
Arquitecto: Por isso é que o complexo irá ter campo de golfe, piscina exterior, piscina interior, ginásio, parque infantil e supermercado. Quanto às habitações, serão equipadas com aquecimento central por toda a casa, a cozinha irá ter forno eléctrico e a sala… 
Heinrich Himmler: O quê?! 

(silêncio) 

Arquitecto: Acha demasiado?! Eu posso riscar o supermercado do plano. 
Heinrich Himmler: Só pode estar a brincar comigo! 
Arquitecto: Então, o supermercado mantém-se?
Heinrich Himmler: Rapaz, diga-me uma coisa: você não tem estado muito atento às notícias, ultimamente, pois não? 

(silêncio)

Arquitecto: Nem por isso. Passa-se alguma coisa? 
Heinrich Himmler: Sabe, é que o complexo não é, propriamente, para servir como habitação luxuosa. Arquitecto: Ah, não?! Então, é para quê? 
Heinrich Himmler: Digamos, que vai servir…para…dar alojamento a uma comunidade nova que se vai instalar em Auschwitz. E eles não gostam nada desses luxos. 
Arquitecto: Então, o que quer que eu risque do plano? 
Heinrich Himmler: Bem, o campo de golfe pode ficar. Mas quero sem relva e que os buracos sejam enormes e fundos; as piscinas quero que sejam as primeiras piscinas do mundo sem água; o ginásio pode riscar, porque essa comunidade não tem, assim, grande aptidão física; o parque infantil pode ficar, porque eu e o meu amigo Adolfo somos malucos por essas coisas; quanto ao supermercado, também, pode ficar. Mas só com a secção de enchidos aberta ao público. 
Arquitecto: Bolas, senhor Himmler. Quem ouvir isso dos buracos, até vai pensar que você vai usá-los como vala para queimar alguém. 

(longo silêncio) 

Heinrich Himmler: Como?! Naa…bem…é que…eu sou um bocado excêntrico, e gosto de coisas diferentes do normal. 
Arquitecto: Hum. Então, e quanto às habitações? Ficam como eu planeei? 
Heinrich Himmler: Diga-me uma coisa: o aquecimento central pode chegar até que temperatura? 
Arquitecto: Depende. Até que temperatura quer que seja suportável? 
Heinrich Himmler: A uma temperatura que seja insuportável para o ser humano. 
Arquitecto: Desculpe?! 
Heinrich Himmler: Continuando. Gostei da ideia dos fornos. Diga-me mais uma coisa: é possível criar fornos das dimensões de uma pessoa? 
Arquitecto: Porque raio quer fornos dessas dimensões?! 
Heinrich Himmler: Então…é que…essa comunidade…adora fazer pizzas. Estão sempre a fazê-las, os tolos. Daí, precisarem de um forno dessas dimensões. 
Arquitecto: Aaah! Fogo, senhor Himmler, às vezes passa-me pela cabeça que você quer este complexo para matar uma quantidade grande de pessoas! 
Heinrich Himmler: Oh...esta juventude...você...não seja brincalhão! Vá, muito bem, por mim, tem luz verde para avançar com o projecto. Vamos lá despachar isto! É que a comunidade não vê a hora de sentir o “cheiro” deste novo complexo. Eles até nem vão dormir quando virem isto!

21.6.11

Isto não passa de uma conversa entre dois treinadores com um bonito aspecto capilar



Certa noite, José Mourinho, estava a ter um espectacular e ternurento sono. Até que...

André Villas-Boas: Hey...Mourinho, acorda...

José Mourinho: Quem ousa acordar-me do meu magnifico sonho?! Villas-Boas?!?! O que é que estás aqui a fazer?! Como é que conseguiste entrar no Olimpo?! 

AVB: Pedi ao Baco para abrir a porta. Ele já estava todo cego, e confundiu-me contigo.

JM: Estranho. Ainda há pouco cruzei-me com ele, quando estava a dar um passeio com as minhas duas 
 Champions no jardim. Aquele menino não tem cura. Mas pergunto, o que vossa alteza está aqui a fazer?

AVB: Então, vim fa…

JM: Silêncio! Agora estou a ter uma conversa com o meu alter ego. Faço sempre isto ao acordar.

Alter Ego do José Mourinho: Vim aqui maravilhar todas as tuas grandes conquistas, e dizer que, provavelmente, fazia penetração contigo.

JM: Ok, isso é nojento. Bem, agora diz-me, qual é que foi a minha melhor conquista?

AEJM: Essa é fácil. Foi daquela vez que conseguiste equilibrar a taça da Champions com o pénis. Absolutamente divinal! És um verdadeiro Drogba!

JM: Pronto, já estou muito melhor. O que ias a dizer, Villas-Boas?

(pausa)

AVB: Bem, nem sei como te dizer isto. Como já deves ter reparado, eu estou a seguir os teus passos, e penso que o próximo passo é comer a tua mulher.

(pausa)

JM: Mas vou ter que ficar a ver?!

AVB: Não, isso é doentio!

(pausa)

AVB: Vá lá, não custa nada, Mourinho.

JM: Epa, mas então não a acordes!

AVB: Está descansado. O meu pénis, por enquanto, não fala.

JM: Agora vê lá se tens E-coli no escroto, ó cenourinha!

AVB: Epa, deixa-me em paz e vai brincar com a água. Pode ser que esteja lá a Deusa da Água toda nua.

JM: Essa deve estar a fazer ebulição com o Deus do Fogo. Vou antes praticar o equilíbrio em certas partes do meu corpo.

AVB: A tua mulher vai finalmente conhecer o "Special Big One".

18.5.11

Isto não passa de uma conversa entre dois seres humanos



Eu no outro dia, estava ao telefone de cócaras com uma pessoa. Tudo normal até agora. No entanto, a outra pessoa - por acaso não era muda - declarou-me algo, com uma frase declarativa que me deixou perplexo. Pois bem, esta foi a nossa conversa:

Eu: A sério. Tens mesmo que deixar de me colocar objectos sexuais no rabo.

Ela: Desde quando é que já não gostas de estimulação anal?

Eu: Desde aquela vez que usaste o vibrador com o formato do pénis do Carlos Cruz. Eu tenho limites.

Ela: Oh, pára lá de ser menino!

Eu: Precisamente por isso, é que não quero que uses aquele vibrador.

(pausa)

Ela: Olha, vou tomar banho.

Eu: Vais tomar banho?! Vais sair a algum lado?

Ela: Não. Vou apenas tomar banho.

(pausa)

Eu: Desculpa?!

Ela: Eu desculpo aquela noite que tiveste com dois soldados do Ultramar.

(pausa)

Eu: Qual é a lógica de ires tomar banho, e depois ficares a fazer exactamente a mesma coisa que estavas a fazer?! Tu és alguma prostituta, por acaso? Nesse caso sim, é aconselhável que te laves antes e depois do que estavas a fazer.

Ela: Não, não sou nenhuma prostituta. E se tivesse SIDA já tinha-me apercebido. Vou apenas tomar banho para me sentir mais confortável.

Eu: Mais confortável? Mas tu estás deitada na cama a falar comigo ao telemóvel às 11h da noite, e vais tomar banho para depois te ires deitar na cama para falar comigo ao telemóvel às 11h da noite? Mas tu tiveste algum derrame?! Isso era como o Hitler tentasse limpar as suas impressões digitais no Holocausto só para tentar ser ilibado. É pura perda de tempo!

Ela: Oh, tu não percebes nada! Deixa-me lá ir esfregar o meu corpo com Palmolive.

(pausa)

Eu: Nisso somos diferentes. Eu se estiver uma semana em casa, podes ter a certeza que não tomo banho. Fico com forte irritação no escroto? Fico sim. Mas ao menos fico com aquele cheiro a bedum com extractos de vinagre. Ah, tão bom.

Ela: A tua sorte é que o bedum que acumulas ao longo dessa semana, faz-te realçar os tons vermelhos do escroto.

Eu: Agora é que disseste tudo. É a minha beleza em todo o seu esplendor.

Ela: Bem, vou-me lavar. Até daqui a uma quantidade pequena de minutos.

14.5.11

Isto não passa de uma conversa onde o protagonista é o Bin Laden



Bin Laden acabado de entrar no Blockbuster de Abbottabad, dirigi-se de imediato para a secção da pornografia, onde procura saciar a sua vontade que o atormenta há uns dias. O empregado ao ver a hesitação do cliente, aproxima-se e aborda-o:
  
Empregado: Boa tarde. Sabe que está na secção da pornografia gay, não sabe?
  
Bin Laden: Ora pois claro que sei! Eu sou o líder da Al-Qaeda e tenho um sentido de orientação sexual apuradíssímo!

E: Bin Laden?! O que está aqui a fazer?! Então você não estava nas montanhas do Afeganistão?!

BL: Mas quais montanhas homem?! Isso foi só nos primeiros meses após o 11 de Setembro! Aquilo é um frio desgraçado, o ar é rarefeito e está sempre cheio de ursos! Eu como tenho o hábito de por mel à volta do pénis para as minhas 349 mulheres javardarem-se, impesto as montanhas de ursos. Fartei-me logo daquilo!

E: Então, e onde é que está a morar agora?

BL: Estou aqui num T30 alugado, com vista para um muro de 5 metros. Mas não estou muito satisfeito com a vizinhança. Eu que gosto de jogar bomberman até às tantas, tenho que ter cuidado com o barulho para não os acordar. Principalmente, aquele vizinho do rés-de-chão frente. Aquele gajo é enorme! Se não tenho cuidado, um dia  mata-me!

E: A sempre triste história dos maus vizinhos. Mas adiante. Então, desde quando se anda a interessar pela pornografia gay? É que as suas mulheres não devem achar piada nenhuma.

BL: Para lhe ser sincero, as minhas mulheres já não me satisfazem. Eu bem posso ter um batalhão de mulheres, mas elas basicamente, são como os pombos. Enquanto se tem pão para dar, elas estão sempre à volta de um lado para a outro. Mas quando o pão acaba, elas viram costas sem dó nem piedade. Logo eu, que sou uma pessoa carente e que precisa de muita atenção. Porque é que acha que fiz o 11 de Setembro? Era só para ter a atenção das pessoas. Precisava de mimos naquele mês.

E: Então acha, que ao ver pornografia gay esse assunto fica saciado?

BL: Eu visiono essa temática também para aprender. Como já lhe disse, as mulheres já não me satisfazem. Neste caso, a metáfora dos pombos ganha outro colorido. Vê?! Até já digo colorido! Quando o pão acaba, há sempre marmelada por trás. E aí sim, terei a atenção e os mimos necessários.

E: Uau, como você mudou. Agora tenha lá cuidado para não ser morto! Já viu o choque que seria para o mundo, se o Bin Laden fosse apanhado com pornografia gay na sua casa?

BL: Acha mesmo que eu vou ser apanhado? Ganhe juízo homem! Estão à quase 10 anos a monte e até agora nada. Tive até o cuidado de fazer podcasts para os meus fãs ao longo destes anos, e mesmo assim não conseguiram localizar o meu ip. Já para não falar, que agora estou numa casa discreta com mais de 50 assoalhadas perto da capital, e com postos de exército do Paquistão ao virar da esquina. Apanharem-me numa casa destas, era como encontrar o Hitler a jogar à sueca com judeus. Por isso, estou muito tranquilo meu amigo.

(Pausa)

BL: Já escolhi os meus vídeos para levar. Levo "As Duas Torres Gémeas Moçambicanas" e o "Ground Zero, One, Two, Three and Four - The Gang Bang"

E: Ora aqui estão eles Sr. Bin. Tem até dia 1 de Maio para os devolver. Faça bom proveito.

BL: Fica combinado então. Dia 1 de Maio passo por aqui para os devolver. Tenha uma continuação de uma boa tarde.

E: Para si também. Adeus.

30.4.11

Isto não passa de uma conversa de autocarro



Tal como acontece todos os dias, Carminda Lopes de 72 anos, encontra-se com Maria do Carmo - e do pai - de 18 anos bissextos no autocarro com direcção a Cucujães. E tal como acontece todos os dias, elas apresentam o mesmo corte de cabelo e o mesmo cheiro a água-de-colónia. E falam e falam...

Carminda Lopes: Hoje vou fazer uma sopinha de nabiças para o meu marido.

Maria do Carmo: Quê?!

CL: Eu disse, que ia fazer uma sopinha de nabiças para o meu marido.

MdC: O quê?! Não consigo ouvi-la, por causa desta música dos Iron Maiden que estou a ouvir no Ipod.

CL: É aquela do novo álbum?

MdC: Quê?!

CL: Oh, esqueça mulher!

(Pausa)

MdC: Não gosto de nabiças, fazem mal ao ácido úrico.

CL: Tem a certeza?

MdC: Sim, li isso no twitter. O meu marido, José João, fica à rasca dos joanetes quando lhe faço sopa de nabiças.

CL: Mas o que é que os joanetes têm a ver com o ácido úrico?

MdC: Nada.

CL: Ah.

(Longa pausa)

MdC: Aquela ali à frente não é a Laurinda?

CL: Pelo menos parece. Mas acho, que é só uma velha que é exactamente igual à Laurinda, mas que não é a Laurinda.

MdC: A Laurinda não morreu a semana passada?

CL: Sim morreu.

MdC: Então definitivamente não é a Laurinda.

CL: Tens a certeza?

(Pausa)

MdC: Acho que agora vou ouvir Sex Pistols.

CL: Não, não é mesmo a Laurinda. A Laurinda ultimamente, tem estado muito calada, não tem?

MdC: Ela morreu a semana passada.

CL: A sério?!

MdC: Sim.

CL: É uma pena. Ia jurar que a tinha visto ali à frente.