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18.5.11

Isto não passa de uma conversa entre dois seres humanos



Eu no outro dia, estava ao telefone de cócaras com uma pessoa. Tudo normal até agora. No entanto, a outra pessoa - por acaso não era muda - declarou-me algo, com uma frase declarativa que me deixou perplexo. Pois bem, esta foi a nossa conversa:

Eu: A sério. Tens mesmo que deixar de me colocar objectos sexuais no rabo.

Ela: Desde quando é que já não gostas de estimulação anal?

Eu: Desde aquela vez que usaste o vibrador com o formato do pénis do Carlos Cruz. Eu tenho limites.

Ela: Oh, pára lá de ser menino!

Eu: Precisamente por isso, é que não quero que uses aquele vibrador.

(pausa)

Ela: Olha, vou tomar banho.

Eu: Vais tomar banho?! Vais sair a algum lado?

Ela: Não. Vou apenas tomar banho.

(pausa)

Eu: Desculpa?!

Ela: Eu desculpo aquela noite que tiveste com dois soldados do Ultramar.

(pausa)

Eu: Qual é a lógica de ires tomar banho, e depois ficares a fazer exactamente a mesma coisa que estavas a fazer?! Tu és alguma prostituta, por acaso? Nesse caso sim, é aconselhável que te laves antes e depois do que estavas a fazer.

Ela: Não, não sou nenhuma prostituta. E se tivesse SIDA já tinha-me apercebido. Vou apenas tomar banho para me sentir mais confortável.

Eu: Mais confortável? Mas tu estás deitada na cama a falar comigo ao telemóvel às 11h da noite, e vais tomar banho para depois te ires deitar na cama para falar comigo ao telemóvel às 11h da noite? Mas tu tiveste algum derrame?! Isso era como o Hitler tentasse limpar as suas impressões digitais no Holocausto só para tentar ser ilibado. É pura perda de tempo!

Ela: Oh, tu não percebes nada! Deixa-me lá ir esfregar o meu corpo com Palmolive.

(pausa)

Eu: Nisso somos diferentes. Eu se estiver uma semana em casa, podes ter a certeza que não tomo banho. Fico com forte irritação no escroto? Fico sim. Mas ao menos fico com aquele cheiro a bedum com extractos de vinagre. Ah, tão bom.

Ela: A tua sorte é que o bedum que acumulas ao longo dessa semana, faz-te realçar os tons vermelhos do escroto.

Eu: Agora é que disseste tudo. É a minha beleza em todo o seu esplendor.

Ela: Bem, vou-me lavar. Até daqui a uma quantidade pequena de minutos.

30.4.11

Isto não passa de uma conversa de autocarro



Tal como acontece todos os dias, Carminda Lopes de 72 anos, encontra-se com Maria do Carmo - e do pai - de 18 anos bissextos no autocarro com direcção a Cucujães. E tal como acontece todos os dias, elas apresentam o mesmo corte de cabelo e o mesmo cheiro a água-de-colónia. E falam e falam...

Carminda Lopes: Hoje vou fazer uma sopinha de nabiças para o meu marido.

Maria do Carmo: Quê?!

CL: Eu disse, que ia fazer uma sopinha de nabiças para o meu marido.

MdC: O quê?! Não consigo ouvi-la, por causa desta música dos Iron Maiden que estou a ouvir no Ipod.

CL: É aquela do novo álbum?

MdC: Quê?!

CL: Oh, esqueça mulher!

(Pausa)

MdC: Não gosto de nabiças, fazem mal ao ácido úrico.

CL: Tem a certeza?

MdC: Sim, li isso no twitter. O meu marido, José João, fica à rasca dos joanetes quando lhe faço sopa de nabiças.

CL: Mas o que é que os joanetes têm a ver com o ácido úrico?

MdC: Nada.

CL: Ah.

(Longa pausa)

MdC: Aquela ali à frente não é a Laurinda?

CL: Pelo menos parece. Mas acho, que é só uma velha que é exactamente igual à Laurinda, mas que não é a Laurinda.

MdC: A Laurinda não morreu a semana passada?

CL: Sim morreu.

MdC: Então definitivamente não é a Laurinda.

CL: Tens a certeza?

(Pausa)

MdC: Acho que agora vou ouvir Sex Pistols.

CL: Não, não é mesmo a Laurinda. A Laurinda ultimamente, tem estado muito calada, não tem?

MdC: Ela morreu a semana passada.

CL: A sério?!

MdC: Sim.

CL: É uma pena. Ia jurar que a tinha visto ali à frente.